Tuesday, February 21, 2006

Arranja-me um emprego / pode ser na tua empresa com certeza / eu dava conta do recado / e para ti era um sossego

Notas sobre os “prós e contras” do presente mercado de trabalho:

1) Foi anunciado na TV ao grupo de indivíduos com qualificações superiores e precariedade de trabalho, em que me incluo, que a flutuação laboral veio para ficar, que isso de ingressar numa carreira e numa instituição segura para toda a vida foi chão que já deu uvas, e que, portanto, víssemos as coisas pelo lado positivo, que diabo, a versatilidade e maleabilidade do mundo maravilhoso dos sucessivos trabalhos, a aprendizagem pelo insucesso, tanto potencial, capacidades e espírito inventivo a explorar, aliados ao inesgotável fundo do auto-investimento na formação profissional.

2) Para mim que, a acrescentar as outras diplomadas qualificações, possuo curso avançado em recibos verdes, gostava ainda que se debatesse porque é que, extinguindo-se o trabalho tradicional, prospera e vai somando a tradição consuetudinária do compadrio, também denominada nepotismo, sendo esta estimulada pelo crescimento do trabalho independente. Não se abrem concursos públicos para tarefas temporárias. Convidam-se amigos e conhecidos carenciados para fazerem as necessárias “perninhas”, pedindo-se em troca a subserviência e o reconhecimento eternos. A grande maioria dos trabalhos temporários não se rege por contratos a contento de ambos os interessados, mas por favores e autoridade unilateral disfarçada de paternalismo, e/ou por esperteza saloia disfarçada de voluntarismo.

3) Fiquei convencido, ontem, que me incluo também no vasto grupo de portugueses carentes de empreendedorismo. Apesar das atraentes vantagens que me podem ser concedidas, não me interessa por aí além “montar um negócio”, muito menos um em que tenha de dispender mais tempo nas “actividades de apoio ao negócio” do que no dito em si, supostamente aquilo que teria a ver com as minhas aptidões, a única coisa que me podia dar um resíduo de prazer. E tenho cá comigo que a lógica do “negócio próprio”, para se acautelar a si e aos seus, entra perigosamente no âmbito de 2) Cada um no seu quintalinho, sem pedir batatinhas, a embalar chouriços para a família, conquanto com o olho na galinha do vizinho, por causa das tosses e da competição saudável.

Eu sei que as vossas intenções são das mais sérias. Mas desculpem lá.

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