Thursday, February 16, 2006

Plataforma dissimulada

Embrumado em cogitações pela linha amarela, falhei o nó verde. Quando a irregularidade do percurso me acudiu aos sentidos, levantei os olhos para verificar o ecrã no fundo da carruagem. O letreiro electrónico anunciava: "Senhor Roubado." Instintivamente inquieto, olhei para o indivíduo caucasiano de meia-idade e ameaçadora envergadura sentado à minha frente, desafiando-me com a sua compleição assertiva. Levei a mão ao bolso e tranquilizei-me com o tacto de pele da carteira e de outono asséptico das notas no seu interior. Tendo deslizado inadvertido por Quinta das Conchas,Lumiar e Ameixoeira, desci em "Sr. Roubado" e refiz o trajecto, não sem deplorar os perversos meandros que o Metro de Lisboa congeminara para me inculcar sub-epidermicamente a desconfiança pela humanidade.

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