Saturday, May 27, 2006

A Net voltou!

E nós, cara dama, somos relapsos.



COTTAGE STREET, 1953

Edna Ward, tal fénix que um guarda-fogo encobre
Debruça-se no bule de Cantão, e verte
Chá à medrosa Sylvia Plath, depois sobre
A acanhada filha, mim e minha mulher,

Quer saber se o tomamos quente ou morno,
Indaga se com leite, lima, ou um cheiro.
Já a visita nos parece tensa e enorme
E cada um à vez lhe diz nossos desejos.

É meu encargo ilustrar a boa sorte
Do poeta publicado, para animar
A Sr.ª Plath, após ter cobiçado a morte;
Mas sinto-me tolhido e incapaz de dar,

Sou um canhestro salva-vidas, que encontrou
Uma miúda devolvida pela maré,
Que, ao largo, imensamente se afundou
E fixa assim a água, com olhos de pérola.

Tão fundo disse não, e tão vácuo agora
Recomendar-lhe, neste delicado entrecho,
A vida, de uma tarde de Verão, embora
O ocaso em brando lume acene o seu desfecho.

E dentro de quinze anos morrerá
Edna, aos oitenta e oito verões duma
Graça e bravura sem direito a lágrimas:
A esguia mão esticada, o amor a palavra última,

Sobrevivendo a Sylvia, à vida sujeita,
E a mais dez anos de labor, com tanto custo,
Até dizer que não enfim, um não perfeito,
Em poemas inquietos, livres e injustos.

Richard Wilbur (1921 - ), com texto de partida em inglês aqui, onde se explica que Edna Ward era sogra do poeta e amiga da família de Sylvia Plath.

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