Tuesday, August 08, 2006

DIES IRAE


“Whether Grace left Dogville or, on the contrary, Dogville had left her – and the world in general – is a question of a more artful nature, that few would benefit from by asking, and even fewer by providing an answer; nor, indeed, will it be answered here”
(do filme Dogville de Lars von Trier)

pela porra toda de mesquinhezes e rancores e prepotências e conspirações silenciosas ou resmoneantes e pelas barreiras e pelas defesas e pelas guardas e pelos chuis mais as suas mãos barradas de manteiga e por todo o laxismo oportunista e pelo deixa-andar e pelos maus olhados e os vodus e pelas aparências do que deve ser e do que não se pode e pelas pedras lançadas nas jenys e nos pretos e nas ciganas e nos libaneses e nos larilas e em todos que deviam ser nossos semelhantes mas que desconsoladamente não atingem a nossa fasquia e por aqueles que me cobram para poder chegar à minha casa ou para poder deixá-la e até se cumpro os semáforos têm ganas de me atropelar hoje é daqueles dias em que se me esvai a confiança na humanidade e que estou com um pó que só seria solúvel se pulverizasse duma vez e para sempre a louça toda e mandasse às urtigas a caritas paulina que já o João mais amado que decerto deus conserva à sua beira devia estar como eu quando resolveu deitar a pena ao apocalipse

5 comments:

Manuel Resende said...

Isso passa, camarada.

Eu sei que isso passa.

De resto, está sempre a passar-se, como nós.

alfinete said...

É óbvio que passa. Estás por terras escalabitanas?

Manuel Resende said...

Estou, sim.

Se é que se pode falar em estar.
Se é que se pode falar.
Se é que se pode.
Se é que se.
Se é que.
Se é.
Se.

Manuel Resende said...

Por falar nisso, um grande abraço.

alfinete said...

Grande abraço também

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