Espraia-se na água a barrela do sol
leque nascente, alvos da corrente, círculos
próximos à oposta orla, entulhos de sal
silos destelhados
algo no movimento escoa o remorso:
quantas vezes os imaginámos, tais abrigos
filha, casas duma Veneza campestre – abre-se
a porta e é sapal, chapinha-se, nada-se
a caminho de maillot, de caiaque
que triste ficaste quando uma vez lá fui
sem te levar – pedalava então
com um teu leve padrasto, incertos
parvos exaltados os sentimentos
sempre foram difíceis — há partes
que devíamos evitar ou então
evitar partilhar, espinhos pelas costas
a ponta entre os nervos cerce
parece escassa coisa mas se também
isso
passa fica a impressão da falta
somando apostas irrealizadas
moinhas remoinhos
algo no movimento escoa
na ponte há pouquíssimo veículos ainda
há os postes pautando o rio cruzando
sombras desta carrinha e arbustos, rasam
esteiras de estorninhos e nós
rombas flechas reluzindo
dispostas
