Aquilo que bosqueja, a rapariga
transposta a saída da infância
a tons de cera e negro, o mundo
é mescla, mal que liga e se amolece
como se não fosse atroz a história
e coexista o dia, a chama, a rama
viva de cerejas perto da aldeia
eis que se esfuma – o lar, e pais e filhos
vedados e vendidos de país
separados em gangues, saltimbancos
não obstante os intervalos do espanto
no trapézio, a paleta de improviso:
como se pisa o gelo e surge um lago
e um espinho pica o sangue nela nua —
sabemos, pois, já menstrua — e acresce
o perigo ao corpo desperto pelo frio
no mundo do homem (mesmo os mais rectos
soslaiam, comerciam, diminuem)
a beleza não salva, acompanha
o olho não evita, mas altera
(o dela, ucraniana, palestina,
síria, séria, lembra-me a amiga
Mariana, que não era migrante
era etérea, teve um tumor, foi-se
em meses); é melhor enquanto vemos
os que traçam secretos o caminho:
aqueles com perguntas tatuadas
nos rostos mudos, esses que contemplam
tomar riscos para que atravessemos

