Thursday, November 04, 2021

Re volta


Cem dias ao ano o banho

em curso de água frio corrente—

Coisa da revolução

e o mundo: o desejo 

de encontrar outra pele

mais funda que a língua

lambente

Deixar os cigarros sempre

mais bicudo que manifestar-se

por uma salvação verde.

Estender após lançada a linha 

aos de bruços na amurada:

importância em queda

zunindo, cortante, uma lâmina

de prata, uma vela preta, quanta jangada

a morrer na praia, quanta vaga

levantada por inércia. Que alague

os livros e queime e abale solo e onda

a prumo, o ataque, o pirata

misericordioso que acabe rápido

com este tormento: maré

vaza, estopa e fogo nesse conceito

mimoso do sujeito

suposto saber, dengoso

de amor e ocidente (aquele morrer

na praia); maré

cheia, briga, motim, ir de novo

logo vir à tona, quanto custa

esta história de singrar 

no mar (além do floreio obsceno)

cortar-lhe a veia na raiz, repor, rodopiar

o tabuleiro do jogo da solitária, do assentamento

na sofrência injusta e inglória:

desnaturar o privilégio  largar

a má onda de ser infeliz.

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