Thursday, July 02, 2026

Em Julho, é manhã na Vasco da Gama

 Espraia-se na água a barrela do sol

leque nascente, alvos da corrente, círculos

próximos à oposta orla, entulhos de sal

silos destelhados


algo no movimento escoa o remorso:


quantas vezes os imaginámos, tais abrigos

filha, casas duma Veneza campestre – abre-se 

a porta e é sapal, chapinha-se, nada-se 

a caminho de maillot, de caiaque


que triste ficaste quando uma vez lá fui 

sem te levar – pedalava então

com um teu leve padrasto, incertos

parvos exaltados os sentimentos

sempre foram difíceis — há partes

que devíamos evitar ou então 

evitar partilhar, espinhos pelas costas

a ponta entre os nervos cerce

parece escassa coisa mas se também

isso 

passa fica a impressão da falta

somando apostas irrealizadas

moinhas remoinhos


algo no movimento escoa


na ponte há pouquíssimo veículos ainda

há os postes pautando o rio cruzando

sombras desta carrinha e arbustos, rasam

esteiras de estorninhos e nós 

rombas flechas reluzindo 

dispostas

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