Sunday, June 04, 2006

Se calhar é por isso que eu me pelo pela Sintaxe

Aos cuidados de e de:

O Léxico tem sexo; a Morfologia tem géneros; o Sentido é filho da mãe que, não desfazendo, é a Semântica; só a Sintaxe permite sintéticas manipulações de genética, como por exemplo:

1. Agente de crime violento é inimputável.

2. Vítima destituída de reparação de danos.

3. Crime violento passa impune.

Todas estas opções têm as suas consequências. Mas podemos escolhê-las. Não podemos escolher que "vítima" seja um substantivo invariavelmente feminino nem que "agente" seja invariavelmente masculino.
Salvaguarde-se a paridade de "inimputável", "imputável", "impune" e "punível" serem todos hermafroditas (sujeitando-se inclusive a brejeiras pintelhices com putéfios e punhetas).

P. S. Se, por improvável hipótese, alguma alma penada, que não esteja na praia nem a curtir o arraial do meu bairro, tiver passado por aqui reiteradamente nos últimos quarenta minutos constatará que este post sofreu várias alterações. É que também me pelo pela palavra justa e pelo justo vocábulo.

3 comments:

FAG said...

Ai é? Então por que é que a virtude é gaja e o pecado tem de ser gajo? E depois vêm dizer que as melhores coisinhas são gajos: o prazer, o deleite, o gozo... E eu pergunto: e a volúpia, a sensualidade ou mesmo a voluptade? E por que será que quem dá e tira (a riqueza e a pobreza) só usa gajas e deixa um gajo subalernizado?
Enfim, nunca mais daqui saíamos, e embora eu concorde que o dicionário é um grande cabrão, a gramática também não é menor cabrona.
PS. Espero é pelos seus poemas blog, embora femininos, quando tiver tempo (lá está, O sacano do tempo).

dama said...

Vale, camarada. Tréguas... lá vêm elas, as donzelas voadoras de branco com suas asinhas de celofane e encanto :)

dama said...

ihihi, ok, (filipe) guerra também é fêmea tal como octavio paz

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