Thursday, June 15, 2006

Beleza é fundamental

Não é importante ser-se mais bonito. É importante ser-se bonito. Eu era Leonor Borboleta e tu eras Pedro Cravo.

O meu primeiro silogismo

Se tu estás a dormir tu não te zangas
tu só te zangas quando não estás a dormir

Wednesday, June 14, 2006



Abrenúncio, te arrenego, que uma diferença existe: entre explicação e justificação.

Monday, June 12, 2006

Pois, mas uns podem e outros esforçam-se, e olha que com amigos destes…

Foram-se todos embora para o sol e para o sul e para o mar, ou estão-se a preparar para os santos, ou até vão para Praga e Budapeste como os mafiosos lá de baixo, ou têm crianças para cuidar como uns e outras, mas não há ninguém, ninguém num raio de 30 km de tlm, disposto a compartilhar com os mais atarefados e menos afortunados uma horita de lazer com umas minis mais um pires de caracóis e um pãozito mal tostado. Essa é que é essa, e assim quem precisa de inimigos?

…. pronto, eu sei que até os há com razões capitais como afinal o mais bondoso dos recém-casais lá de baixo, e outra(o)s, e sou eu que tenho de me desemerdar, como dirias tu Miguel (embora aquela da unha partida, enfim ;)), porque estes gajos que escrevem têm sempre a mania que não conseguem carpir metáforas sem um amiguinho ao lado, e por isso, olhem, lá se vai a hora de lazer para posts onanistas e injustos.

Sunday, June 11, 2006

Aos meus amigos

(especialmente aos mais belos recém-esposos do 10 de Junho)



A MESA TRANS-POSTA

se ao coração se vai pela barriga
dou a minha vulnerabilidade
em troca dum regalo de comida

Friday, June 09, 2006

Talvez a injecção letal

não precise ser fatal
após o incerto cruzeiro
após pagar ao barqueiro
dos lameiros de Aqueronte
que pode bem ser bifronte
velho sátiro ou Morgana
criatura quase humana
que tudo engana consoante
se olha pra trás ou diante

tão cansada de engolir
comprimidos sem dormir
do meu sexo que se embota
do coração que se esgota
esticado na horizontal
sob uma agulha sensual
e a sopa na panela
embacia-me a janela
e sorvo mas sem palato
sem ter forças para o salto



se há uma falha um abalo
Dickinson Plath Woolf Kahlo
onde foram estavam loucas
queriam coisas eram ocas
queriam chique eram pedras
queriam arte eram merdas
tentando o voo eram estacas
punho em riste eram farpas
fornos hortos seu delírio
nunca foi santo martírio

da fonte de Lete das letras
dos opostos caracteres
desconheço o que esquecer
se a vida sobre ou subterra
e se a barca vai na esteira
da nascente derradeira
ou duma foz mais absconsa
sem que embale a brisa ondas
sulcando turvas manhãs
duma ilha de maçãs

Sunday, June 04, 2006

Os Pirotécnicos Unidos Jamais Serão Vencidos

E o dia de Pentecostes não podia ter melhor término. Cá se vão gozando os fogos d'um'alt'água-furtada.

Se calhar é por isso que eu me pelo pela Sintaxe

Aos cuidados de e de:

O Léxico tem sexo; a Morfologia tem géneros; o Sentido é filho da mãe que, não desfazendo, é a Semântica; só a Sintaxe permite sintéticas manipulações de genética, como por exemplo:

1. Agente de crime violento é inimputável.

2. Vítima destituída de reparação de danos.

3. Crime violento passa impune.

Todas estas opções têm as suas consequências. Mas podemos escolhê-las. Não podemos escolher que "vítima" seja um substantivo invariavelmente feminino nem que "agente" seja invariavelmente masculino.
Salvaguarde-se a paridade de "inimputável", "imputável", "impune" e "punível" serem todos hermafroditas (sujeitando-se inclusive a brejeiras pintelhices com putéfios e punhetas).

P. S. Se, por improvável hipótese, alguma alma penada, que não esteja na praia nem a curtir o arraial do meu bairro, tiver passado por aqui reiteradamente nos últimos quarenta minutos constatará que este post sofreu várias alterações. É que também me pelo pela palavra justa e pelo justo vocábulo.

Efemérides #2: A LEBRE


Regozijemo-nos, associando imagem consonante com o feliz aniversário e com o espírito santo de baixo. Parabéns.

Pentecostes

“Porque eu rezo numa LÍNGUA DESCONHECIDA, o meu espírito reza, mas a minha compreensão é estéril” (Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios)



Segue excerto do “Boletim Paroquial”, emitido pela Igreja da Graça para a Paróquia de Santo André e Santa Marinha em Lisboa, nº 37, 4 de Junho de 2006; editado por mim, com ecumenismo e respeito por crentes e não-crentes (as maiúsculas correspondem a expressões em itálico no original, mas ainda não aprendi o código para fazer isso):

“Na festa de Pentecostes, em que se juntavam em Jerusalém muitos judeus vindos de todas as nações, os apóstolos falaram do Evangelho (…). E todos os presentes entenderam bem o que lhes era dito, apesar de falarem línguas diversas. (…) FALAR A MESMA LÍNGUA significa estar em comunhão com todos. Infelizmente, as pessoas às vezes falam, utilizam as mesmas palavras, mas não se entendem. (….)
Deixemo-nos invadir pelo Espírito Santo*; punhamos de lado o medo e a indolência. Saiamos do CENÁCULO do medo (…)”

* O Espírito Santo, para mim, como crente e não-crente, representa precisamente a coragem de procurarmos um entendimento, um espaço médio, ou mesmo uma fugaz comunhão, por entre as línguas múltiplas de que nos servimos. Nesse sentido, e reiterando um dos pontos talvez mais sensíveis do texto que há dias afixei, se houver (boa?) fé, julgo que a tradução é um seu artigo transitivo fundamental.

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