Sunday, July 30, 2006

Woman Overboard

MAYDAY lanço, porque a guerra dura



e está vazio o vaso em que parti
e cede ao fundo onde a vaga fura,
drena a fissura, uma falta – não
um tarro de cortiça que vogasse;
especifico: é terracota e fractura,
e eu sou esparsa, e a liquidez maciça.
Tarde, sei, será, se vier socorro:
se transluz pouco ao escuro este sinal,
e a água não prevê qualquer escritura
se jazo aqui: rasura apenas, branda
a costura, em ponto lento a onda
fará um manto sobre o afogamento.

Wednesday, July 19, 2006

Post Scriptum

COM-PAIXÃO & HIPOCONDRIA

Confortamo-nos com histórias laterais,
esquivamos o toque, há risco de contágio;
e, por mais que preservemos a franqueza,
passou o estágio da frontal alegria:
estamos bem, obrigada, embora aquém
de antes – entretanto admitimos não
saber, e enquanto resta isto indefinido,
mesmo com luvas, pinças de parafina,
não sondamos mais, sob pena de crescer
um quisto nesse incisivo sítio onde
achámos sem tacto que menos doía.

Tuesday, July 18, 2006

Pousio



Este blog entrou em estado de conserva vegetativo. Será reanimado lá para Setembro. Bem hajam, até lá.

Saturday, July 08, 2006

Poderá haver sinonímia

ou onde se acha o traço distintivo entre reconhecimento e projecção?

Female Bonding # 4?



HETTIE JONES & AMINA BARAKA

E este, jovens mulheres,
é o dilema

ele mesmo a solução:

sempre fui ao mesmo tempo
muito mulher para me comover ao pranto
e muito homem para
conduzir meu carro em qualquer direcção.

(final do poema Hard Drive, de Hettie Jones, n. 1934)

"Há quem pense que a força está na perseverança; às vezes está no deixar ir"
(Amina Baraka, n. 1937, poeta, cantora de jazz e jornalista no órgão de propaganda de esquerda "People's Weekly World")

As duas mulheres foram companheiras do poeta actualmente conhecido por Amiri Baraka, n. 1934, antes associado ao movimento beat com o nome de LeRoi Jones. A mudança de nome deu-se no período quente de meados de 1960 com a radicalização da luta pela afirmação identitária dos afro-americanos (nomeadamente, em sequência do assassinato de Malcolm X) Muitos negros recusaram então os antropónimos que julgavam herdadados dos esclavagistas do passado, optando por nomes de origem africana. Amiri, ao que parece, significa "príncipe", e Baraka "benção". A questão torna-se controversa e irónica quando comparada com as mudanças de nome por que optaram as mulheres daquele que recentemente reconquistou notoriedade com o poema activista "Somebody blew up America". Hettie Jones, nascida Cohen, branca e de ascendência judia, mudou o apelido para "Jones" quando se casou com LeRoi numa cerimónia budista em 1958. Divorciaram-se em 1965 e no ano seguinte o escritor casou com a cantora negra Sylvia Robinson que viria a mudar para "Amina Baraka", significando o nome próprio "leal e fiel". Pelo menos em autógrafos recentes, a actual mulher do ex-poeta laureado de Nova Jersey assina apenas "Amina".

Saturday, July 01, 2006

Aos meus amigos # 2

FOI BONITA A FESTA, PÁ

"And I'll see if my friends are still there:
Yes, and here's to the few
Who forgive what you do
And the fewer who don't even care"

(Leonard Cohen)
Obrigada

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