Sunday, May 07, 2006

do teu nascimento

como eu palavras busco que pensar
o amor que em dor se haure e me sufoca
meu leite busca brusca tua boca
do ventre que acabou de te soltar,

me assalta primitivo o incontido
materno sentimento imprevisto
dos corpos fluidos mútuos e vertidos
que um no outro se acham repetidos;

e se recolhe enfim teu cenho feio,
teu choro sem governo no meu colo
sossega e dá lugar, sugando o seio,

a um semblante humano que consolo.
De ti esperei tudo e agora isto:
que em ti o excesso meu se ache visto.

3 comments:

Anonymous said...

“Como é que um Comunista se pode renovar, sem primeiro se transformar em cinzas?” – Quitéria Barbuda

www.riapa.pt.to

ângela said...

Parabéns! É lindo...

João Villalobos said...

Excelente! Parabéns também.

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