Monday, March 25, 2013
Louvor e valor da manhã
Thursday, January 10, 2013
Desponta em Janeiro a manhã na Ponte Vasco da Gama
Saturday, January 05, 2013
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Monday, November 26, 2012
Perseides
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Thursday, November 08, 2012
"Silence" de Carlos Bulosan
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Wednesday, October 10, 2012
À sombra de Krishnarmuti
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Monday, July 16, 2012
Não é um o começo,
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Wednesday, April 25, 2012
Tuesday, April 17, 2012
Melides - aluga-se férias casa / Melides house for holiday rental
2 quartos para 4-6 pessoas (com sofá-cama na sala). Eletrodomésticos (frigorífico, máquina de lavar, fogão). Lindos terraços para banhos de sol e refeições. Sobre um bonito vale e uma gárrula ribeira. 7 km da praia.
310 € week / semana - 7-21 Jul, 4-11 Aug and 18 Aug - 1 Set
2 weeks / semanas 580 €
weekends or 2 day minimum / fins-de-semana ou mínimo 2 dias - 60 - 95 € dependente da époa / depending on season
Tel. 969667823
email - liteua19@gmail.com
Sunday, March 25, 2012
Não levaste pedras e eu duro
que não tinhas outro sítio onde enfiar,
Friday, March 02, 2012
Turva se faz não raro a graça ínfima,
Wednesday, February 08, 2012
aquário
até newfoundland à pesca, foram eles que
começaram a estender os bacalhaus no convés
dos barcos, a secar. depois espetavam as
espinhas uns nos outros. eram tipos bons e
maus, e perto dos quarenta anos arrependiam-se
e afundavam os pés na terra, visitavam a mãe.
a mãe ainda estava lá, a remexer ovos no ar.
Rui Costa
Fev. 2009
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Friday, February 03, 2012
Thursday, February 02, 2012
Sendo mais que palavras na cabeça
admiração da dança:
sinta sempre queria saber
como é
banzé. revolução
não estás zangado
estás a dançar
iê-
-iê.
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Thursday, January 19, 2012
Calmeirão cabeçudo, por tudo
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Thursday, January 12, 2012
Cumpre que não foste
falar de mar só com a boca afogada
a regularidade assusta
e eu acho isso bonito como o som de ossos na porta
cai alguma coisa
na direcção das minhas mãos e eu corto-as
sinto os cabelos
o ombro morno do coração no ombro
não me fui embora
na praia ao vento tudo o que acontece
Rui Costa (Março de 2009)
Tuesday, January 10, 2012
Segundo Amor
Quando estás só tens as manhãs todas
de organizar o mundo; preciso grito
intenso aqui agora. Lembro-me de ti
já nem tantas vezes assim, lembro
o que fomos à noite o dia desmentiu.
Mas também às vezes especialmente
querendo com isto – o quê – a pele
sempre lisa, o futuro de ocasiões, só,
sim, só lamento o corte, recrimino
algumas unhas de raspão, triste espera,
o que houve rasteiro, o que de alto
me falta, pouco limpos passes da vida
e terna, sinceramente, tua, Guida
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Saturday, January 07, 2012
Maya Deren
Tuesday, January 03, 2012
Democrítica
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Sunday, August 21, 2011
Porque já era tempo de desempoeirar a xafarica
Thursday, February 10, 2011
Medeia
Thursday, December 23, 2010
Etílio Barroco
Sunday, December 05, 2010
O Balde

E a magana da gata, arisca e fugidia
foi logo parir as crias
no sofá do arrumo onde ele tinha os papéis
(havia de se esquecer do último,
agora por lá anda o advogado
a tratar de escrevê-lo)
no sofá que a bem dizer não era dele
nem nunca ninguém usou
que comprou para impressionar os gaiatos
filhos dos meus enteados
(os que trataram do advogado):
bom couro, estofo fofo,
a vagabunda gata achou-o de agrado.
Foi isto dois dias depois que me fizeram
sair da minha casa com o meu filho pois, diziam,
não nos sabíamos governar depois que
segundo eles – (eu achei-o delgado
e pequeno o meu homem
a quem puseram tubos uma algália
e aquela máscara nas ventas
que não o deixava sossegar
e obrigavam-no a dormir nu
porque não gostavam que ele suasse
só lá fui uma vez onde o levaram
para prolongar a morte
onde nem me conhecia
não tinha dentes nenhuns
e o corpo naquela indecência
nem sei se me ouvia
toda a vida ele tinha sido uma árvore
mas voltou já vestido no carro preto
e depois fez-se a missa) –
não tínhamos condições para o resto da vida.
A mim calhava melhor ter ficado em casa
com o meu filho que tem problemas mas é esperto
e sempre demos conta do recado
mas disseram os enteados,
meios-irmãos do meu filho,
mais os netos e o advogado
que eu já não posso
e era melhor irmos para um sítio
a que querem que chamemos lar
e eu chamo asilo para os arreliar
que estou fraca e magra é verdade mirrei
que vivemos no campo demora a ver-se
alguém de longe se sucedia alguma coisa
ficávamos aflitos e ninguém nos acudia.
mas ia-se a ver onde ela tinha metido os bichos
ninguém dava sentido senão eu
e por isso me trouxeram eu vi
logo ao abrir da porta
e ao sair da gata disparada
pelo cheiro
deixei na cozinha o balde preparado
o sofá estava armado no arrumo
ao lado esquerdo do corredor
onde ele tinha os papéis
meti as mãos pelo buraco no couro
dentro da espuma dei logo com a pele
ainda sem pêlo engelhada e corredia
a chiar de olhos cerrados
um dois três quatro cinco seis
que embrulhei no regaço ainda cegos
e levei para a cozinha
para fazer uma coisa
que já fiz tanta vez
com a porta fechada que a mãe
andava coitadita a rondar
e ainda continuou nos dias depois
em que eu a vi muito magra
minhas mãos de velha na água
a forçar-lhes o cachaço para baixo
aflito pequeno delgado
até sossegarem
quando já não se mexem
não me custa assim tanto
não estão à espera desta
não têm governo para o resto é a vida
.
Friday, August 06, 2010
Woolf

Someone has blundered
alguém meteu o pé na argola
e tu és a óbvia suspeita
Likely it was you
a vida irremediavelmente enrolou-se
e agora não se endireita
in an impassable crux
Sobrevém, pois, irresistível, comoção
do fluxo
What are we to do against the summon of the swoon
O transtorno das águas o tocar o fundo
the swell of your backward burial
mergulhar em câmara invertida
como dizem que passa a vida
quando se abandona o mundo
mesmo que desejes ainda
parar
o gesto nada
vai mudar if you wanted to press stop now it’s too late
a água é densa turva provavelmente
gelada
and the stones are loaded dice
nos bolsos a escuridão dilui-se
lentamente
ice cold thick, there you stood, yet ever did you regret what you undertook?
Quiseste alguma vez um pouco
menos de talento
?
Saturday, June 12, 2010
Condições mínimas
há que mudar a pele para comer
o fogo. Não que eu faça render
qualquer talento, ou tenha em vasilhas
semi-intactas ilustres maravilhas:
uma lista de coisas a fazer,
solidão, pedra de isqueiro, um revólver,
e um aparelho já com pouca pilha
e que só uso eu; a nós vontade
basta – e alguma luz: pede-se intensa,
mas sem que obste o brilho à entrega cega,
aceitas? compreendes? aguentas?
no nervo negro desta densidade
penetra só sentindo que sustentas
e me conténs quando eu me desintegro
.
Sunday, May 09, 2010
Gosto muito do meu macaco
Sunday, April 25, 2010
25 de Abril
Sunday, November 22, 2009
One Art
A arte de perder não custa dominar;
há tantas coisas que parecem decididas
a perder-se, que o mundo não pode acabar.
Perder quotidianamente. Há que aceitar
a falta das chaves, a hora consumida.
A arte de perder não custa dominar.
Depois treina-te a perder mais e sem parar:
nomes, e sítios, onde tinhas prometido
que ias; nem por isso há-de o mundo acabar.
Perdi o relógio da minha mãe, e – azar! –
a última, ou quase, das minhas casas queridas.
A arte de perder não custa dominar.
Perdi duas cidades, lindas, e, para somar,
duas terras, dois rios, e tantas despedidas
de coisas que faltam mas não causam pesar.
– Até perder-te a ti (a voz de troça, a xingar
que eu amo) não estou a enganar. É sabido
que a arte de perder não custa dominar,
embora pareça (escreva-se!) o mundo a acabar.
Oh, não, seja o que for o que for à excepção do amor
Diz: o mundo a acabar. (nota de Bishop para o poema)
Elizabeth Bishop
http://www.youtube.com/watch?
Sunday, November 08, 2009
Acordei hoje como se fosse natural-
mente necessário ter o comprimento
do teu corpo na minha cama e estranhei
que não me abraçasses, nem preenchesse
o encaixe da tua pélvis
as minhas nádegas, a tua mão
sobre o meu monte, os teus joelhos
encostados à dobra onde os meus flectem.
Vês daí como tudo aqui ainda e sempre
treme continuamente, e a descompasso
do real, todos os dias tenho calores
de imaginação, trabalho a líbido
do cansaço, se fecho os olhos não durmo
e ao invés viajo dentro de mim
enchendo-me de corpos e fricções. Depois
no outro plano, já sentiste, custa-me
estar presente: das consecutivas vezes
que nos tocámos na boca, estudei os beijos
como uma alegoria embaraçosa:
tudo sob o comando diferido
da cabeça, com tensão mais que tesão,
a minha língua esgrimia a tua, quase
nada clamava ou humedecia, talvez
exceptuando um latido pequeno de amor
a pingar com irritação, não sei,
e além do mais haveria que indagar
se realmente são compatíveis as nossas
espécies, se isso é motivo de inevitabilidade,
ou de eu precisar das tuas carícias
nos anéis das cervicais, ou dos teu dedos
na pele ou o princípio do escuro
a partir do perímetro da cintura.
Sunday, August 09, 2009
"Aquela que de amor descomedido"

Não resisto, depois do post abaixo, a colocar parte da minha tradução até agora favorita de Landeg White. A elegia é longa, e não transcrevo tudo, mas a verdade é que se não fosse a leitura nova do inglês, a mim nunca me teria tocado tanto este poema de Camões (clicar aqui para comparar com português, infelizmente sem quebra dos tercetos; o que transcrevo começa no 7º verso).
(...)
In the same fashion, of my personal hurt,
already history, nothing remains
but this poem I scribble urgently,
and if its tenuous, threadbare existence
reflects love, it's because the thought
echoes its loss of the good that is present.
My lord, do not be at all startled
that overtaken by such ill fortune,
I steal this little space to inscribe it,
for whoever has the strength to go on
without killing himself by way of statement
has also the strength to write it down.
Nor it is I who write of my customary fate;
but within my heart, overwhelmed and broken,
the heartbreak writes, and I translate.
(...)
Direito à Indignação
"Admiro muito o trabalho de R Zenith mas está na altura de eu me indignar um bocadinho. Como é que esta notícia do Instituto Camões pode começar com a frase "A primeira tradução para inglês da poesia lírica de Luís de Camões"? Ainda o ano passado se lançou "The Collected Lyric Poems of Luís de Camões" - uma tradução de Landeg White que de resto foi comentada no lançamento de Zenith, onde estive. Já em 1884 R. Burton traduziu o que então pensava serem os poemas líricos completos, menos éclogas e elegias, e existem várias outras selecções parciais do século XIX. Sobre as recentes traduções, é justo dizer que se complementam: a de Zenith é um trabalho ponderado e exacto de um grande tradutor literário; a de L. White, que deu à língua inglesa também uns excelentes Lusiads (1997) é uma viagem de partilha amorosa entre poetas.
Já agora ainda digo mais: não me parece que R Zenith ou a Universidade de Dartmouth necessitem de publicidade enganosa. Não concebo que uma instituição cujo principal objectivo é a divulgação da língua portuguesa no estrangeiro, e que assume por nome o do poeta em causa, possa encetar uma notícia com um lapso destes.
Monday, June 01, 2009
Descrição de haver perdido a bordo
de memória, reserva especial
mal selada, havia lá marítimas
travessias, esquissos do velame,
planos, logs, tabelas de marés,
e partidas de king em horas
mortas, cálculos de azimutes,
havia relatos de perdas, queixas,
uma folha seca com fita gomada,
fixa a natureza a páginas
tantas, havia a minha mensagem
para o mundo, trajectos do espírito
com travessões e rimas mancas à – ah,
Dickinson – e Sede assim, cartografada
com maiúscula, a santa demanda da taça
fissurada, coágulo espesso, o sangue
que nunca seca bem no fundo, havia
amor com arrebiques de ficção, arrufos
conjugais, a fluida consciência assindética
amparando inexprimíveis comoções, havia
tropismos, apóstrofes de estímulos exteriores
com subjectiva irradiação, havia a íntima
confissão de minha filha elevando-se
cá dentro, raiada de tentáculos, vibrátil
medusa em muco de placenta ansiando
arborescer, havia algum motivo
de orgulho,
mas a fadiga dos fusos horários
mal registou o esquecimento, a crónica
de mim caída no tapete do aeroplano, varrida
junto com jornais, prospectos da companhia,
algum passageiro frequente tê-la-á pisado,
os funcionários da limpeza a bem
do asseio tê-la-ão – é o mais certo – destruído
.
Monday, May 25, 2009

Curiosa a tribo que formamos, sós
que somos sempre e à noite pardos,
fuzis os olhos, garras como dardos,
mostrando o nosso assanho mais feroz:
quando me ataca o cio eu toda ardo,
e pelos becos faço eco, a voz
esforço, estico e, como outras de nós,
de susto dobro e fico um leopardo
ou ando nas piscinas a rondar –
e perco o pé com ganas sufocantes
de regressar ao sítio que deixei
julgando ser mais fundo do que antes.
A isto assiste a morte, sem contar
as vidas que levei ou já gastei.
*
Sunday, May 24, 2009
poema-resposta
do outro lado de mim há a casa
que tenho procurado
em corpo dos homens
por uma vez, duas vezes (eu só
sei bem
quantas)
encontrei-a.
Foi quando consegui dormir com ela.
Sunday, May 17, 2009
Medicação
Alegria
Literatura inclusa.
Posologia: ao menos
uma vez
cada dia
.
A menor arte poética
Não obstante o canto, se calhar
o que me agarra aqui é a textura.
Que faço no poema? Acupuntura,
o texto em vez do tacto, massagem
a mensagem
.
Saturday, May 16, 2009
Aniversário
trazia um vestido curto nós
subíamos as escadas eu
à frente sem reparar deixava
as pernas ao desamparo do teu
agrado, tínhamos bebido ao meu
futuro e era uma fuga o teu
presente um disco que me deste
reluzia em semi-círculo e a nós
excitava seriamente escapar eu
fazia vinte anos tu
relanceavas-me as pernas eu
abandonava a adolescência
nem olhara para trás tu
miravas-me as pernas de trás. Nós
subíamos ao telhado eu
trazia um vestido curto nós
estávamos tristes creio tu
fingias-te um sátiro e nós
subíamos ao alto desarmados.
O tambor do sol batia
nos olhos que a luz e o álcool e a luz
e o álcool diminuíam
e os brancos raiavam o solstício
incandescentes eu
fazia vinte anos tu
tinhas-me dado uma música eu
rodava-a na mão e o sol
girava no gume do metal eu
no vestido curto descrevia
um círculo de desejo nós
estávamos tristes creio nós
tínhamos subido e a crista
das telhas beliscava na pele
petéquias de luz e tu
ao disco do sol dançavas e eu
de olhos cegos espiava fazia calor nós
tínhamos bebido e tínhamos calor eu
já tinha vinte anos nós
éramos o grande amor
.
Wednesday, May 06, 2009
revisão da matéria dada
Sunday, May 03, 2009
Dia da Mãe
-se por dentro e é só cego animal
na oca luz do foco do hospital
pela qual a enfermeira sem nome
empurra as mãos como colher cavando
os muros do casulo de água duro
onde deves vir ao colo maduro,
mas és arisca e esquivas-te, nadando
a salvo do isco que te procura.
Até que a tua nuca desemboca
na minha boca, e ela te segura
com seus dedos hábeis, te desloca,
e por certeiro corte se desata
o nó da corda que de mim te aparta
.















